E depois do Verão? Eis a pergunta que vem à tona: O que aconteceu ao meu peso?
28/09/2011

Na consulta de nutrição é comum ouvir-se queixas relativas à impossibilidade e impraticabilidade de determinadas alterações de comportamento, quer alimentar, quer de estilo de vida. Enfim… a azáfama de obrigações profissionais, familiares, sociais e pessoais, por vezes, constituem uma barreira à aplicabilidade de hábitos alimentares e de estilos de vida mais saudáveis ou, por outro lado, para a alteração dos hábitos que já estão enraizados, como o sedentarismo e as más escolhas alimentares.

Para algumas pessoas e, de facto, na teoria, o período das férias do verão constitui uma excelente oportunidade para conseguirmos fazer aquilo que as nossas frenéticas vidas não nos permitem durante o resto do ano.

As temperaturas mais elevadas, por si só, diminuem a necessidade do corpo em armazenar gordura subcutânea, para a manutenção da temperatura corporal e, como tal, muitas vezes, se ouve falar em diminuição do apetite durante este período. Devido também às condições climatéricas, e por existir uma maior perda de água por desidratação, torna-se mais fácil adoptar hábitos de consumo de água saudáveis, muitas vezes negligenciado pela falta de sensação de sede sentida por uma grande generalidade da população, especialmente nas estações do ano menos quentes. A acrescentar, o consumo de fruta e legumes frescos é mais apetecível,  refeições ligeiras são mais fáceis de encontrar nas ementas da grande parte das famílias portuguesas. Existe, tendencialmente, um considerável aumento do consumo de peixe fresco. O tradicional cheiro a carvão e de sardinha assada, é quase indicio do inicio da época balnear e do bom tempo. Tanto peixe como carne grelhada fazem muitas vezes parte das refeições de muitas famílias, quer nas refeições confeccionadas em casa, quer fora.

 O factor stress é menos presente e o tempo disponível para fazer actividade física, regular e significativamente intensa, é mais fácil de se conseguir. As deslocações nesta altura do ano incluem, muitas vezes, praia, piscina e passeios ao ar livre com a família. Neste contexto a caminhada e a natação podem ser incluídas de forma quase imperceptível.

Concluindo o raciocínio, se conseguimos controlar a qualidade alimentar, conseguimos optar por formas de confecção mais saudáveis e com menor quantidade de adição de gordura e simultaneamente aumentamos a actividade física diária, então temos a fórmula perfeita para manter ou ir de encontro a um peso saudável e adequado.

Contudo, se por um lado este cenário idílico faz todo o sentido, por outro lado, constata-se que na prática as coisas não são assim tão fáceis e, muitas vezes, o que acontece é exactamente o contrário. Durante os meses de verão é comum cometermos alguns deslizes alimentares e descuidarmos os cuidados e regras de uma nutrição adequada. Muitos de nós ingerimos alimentos em excesso e, muitas vezes, com calorias para lá do recomendado. Esta é uma situação transversal a quase toda a população e que é importante corrigir. As férias são propícias a refeições tardias, desreguladas, petiscos e afins. Sabem muito bem, mas fazem tão mal…

A quebra para com as nossas rotinas, começando pelos horários e pela organização diária distinta, torna a época estival propícia a desvios alimentares. As próprias tentações são mais irresistíveis nesta altura do ano. Temos mais tempo livre para desfrutarmos de um dia de praia, onde os gelados e as bolas de Berlim são tipicamente vendidos, ou de almoços em restaurantes com esplanadas solarengas, onde a gestão das escolhas alimentares se torna complicada face à diversidade da oferta, normalmente acompanhada de refrigerantes, bebidas alcoólicas típicas da estação (sangrias, caipirinhas ou cerveja geladinha) e sobremesas deliciosas.

De facto parece ser mais difícil resistir e dizer que não a estes alimentos apreciados pela maior parte da população, mas que na realidade são bombinhas calóricas, nestas alturas do ano em que em muitos casos passam férias fora de casa.

Por estarmos deslocados, as refeições intercalares, que devem existir entre as refeições principais acabam por ser negligenciadas e esquecidas, ou então substituídas por alimentos práticos e pré feitos, de alto valor calórico, recheados de açúcares e gorduras de má qualidade (os bolos, os salgadinhos, as batatas fritas de pacote, e afins).

Todos estes comportamentos, juntamente com o facto de aproveitarmos as férias para descansar e portanto o exercício físico ficar de lado (e sem culpa: pensa-se que é um descanso merecido depois de tantos meses de trabalho árduo), resultam muitas vezes num aumento de peso mais ou menos preocupante consoante a nossa condição ponderal inicial.

Agora que as rotinas estão a voltar, com o regresso ao trabalho e a entrada nas escolas, os horários voltam a ser mais controláveis. Esta será uma excelente altura para organizar os seus hábitos alimentares e de estilo de vida para os meses que se aproximam. Vamos pôr em prática aquilo que era difícil antes de ir de férias, mas que durante as mesmas se revelou ser ainda pior.

A melhor solução será procurar um profissional da área que possa consigo, e em conjunto, estabelecer metas e estratégias saudáveis e equilibradas para as conseguir alcançar. Tentar solucionar o aumento de peso de forma rápida e drástica pode conduzir às conhecidas dietas tipo Yô-Yô, onde é “pior a emenda que o soneto”.

Porque não reorganizar-se para uma vida mais saudável, com um peso que preencha as suas expectativas?

Vai ver que voltará à sua forma física num abrir e fechar de olhos!
 
Até breve
Com os melhores cumprimentos nutricionais.
Dr.ª Lillian Barros – Nutricionista


Dr.ª Lillian Santos é licenciada em Nutrição e Engenharia Alimentar e também em Ciências da Nutrição.
Dá consultas na Clínica MedialCare Campo Grande às quartas-feiras no horário entre as 12:00 e as 18:00 horas.

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