16 de Outubro – Dia Mundial da Alimentação
No passado dia 16 de Outubro, celebrou-se o dia mundial da alimentação. Para marcar a data a nossa nutricionista Lillian Barros, numa entrevista para a MSN saúde desvenda alguns mitos sobre a alimentação.
Hoje em dia há uma imensidão de informação, sobretudo online, sobre dietas, propriedades dos alimentos, hábitos e comportamento alimentares. Mas, como alerta a nutricionista Lillian Barros, além de entre todo este excesso de informação ser fácil encontrar conselhos contraditórios, muitas vezes, os conteúdos não têm base científica. “Quando tentamos encontrar informações sobre nutrição, e sobretudo sobre dietas, existe de tudo um pouco e para todos os gostos. É um tema mediático e, portanto, todos querem ter uma opinião”, afirma a nutricionista que defende que neste caso, como noutros, quantidade não quer dizer qualidade, pelo que é importante que quem se interessa pelo tema tenha a certeza de que se trata de informação credível passada por profissionais da área.
Lillian Barros admite, no entanto, que “é verdade que já temos uma população mais alertada e consciente para os benefícios de uma alimentação saudável e da manutenção de um peso adequado. E esta consciência é o primeiro passo para a alteração dos hábitos pessoais e familiares.” Mas o passo seguinte tem de ser fazê-lo sob a orientação de um profissional credenciado e para alcançar os objetivos desejados de uma forma equilibrada e acima de tudo permanente – sem o efeito yo-yo.
Vejamos a avaliação da nossa nutricionista sobre alguns mitos frequentes:
“A água às refeições engorda”
Pois bem a água não tem calorias, aliás é o único alimento, de toda a roda dos alimentos que não apresenta caloria alguma. Neste sentido ela não engordará nunca, nem de manhã, nem à tarde ou noite, muito menos com as refeições. O que acontece, na realidade, é que ela ocupa volume, e portanto pode, quando consumida em excesso juntamente com a refeição, dilatar o estomago. Este é o caso das pessoas que acabam uma refeição condimentada e bebem 2 ou 3 copos de água de seguida. Esta dilatação pode mais tarde ser um fator que dificulte uma correta saciedade e que conduza a um consumo alimentar superior.
“Ouvi dizer que fazer exercício físico engorda”
Este também é bastante comum! Pois bem, fazer exercício físico não engorda. O exercício físico aumenta a nossa massa muscular e esta sim, sendo mais densa que a gordura, pode conferir uma reduzida perda de peso em balança ou até mesmo um ligeiro aumento, dependendo do tipo de exercício físico e do tipo de dieta que se pratica. No entanto, é por isso que o nutricionista tem ferramentas ao seu dispor que permitem perceber as alterações corporais existentes. Aumentar de peso não significa necessariamente engordar. Engordar significa aumento de gordura corporal, normalmente associado a um aumento de volume.
“Para emagrecer vou ter de deixar de comer e passar fome”
Este é quase o primeiro dos medos/receios das pessoas e é também o que as demove muitas vezes de procurar ajuda. Já sabem que vai ser um sofrimento e portanto vão protelando a ida ao nutricionista. Na realidade para se emagrecer devemos comer várias vezes ao dia, o que muitas vezes até é considerado pelos pacientes como “comida a mais”. No entanto, é este repartir de refeições que nos permite manter os nossos níveis de açúcar sanguíneo (glicémia) estabilizados e, portanto, manter a saciedade até à próxima refeição. A intenção é nunca se sentar à mesa com fome! E se por acaso tiver muita fome (e aqui falo em fome e não em vontade de comer) então deverão ser feitos ajustes ao plano alimentar pois não é normal.
“O pão engorda”
Quando me perguntam se o pão engorda? A fruta engorda? O arroz, a massa? O milho, o feijão, as ervilhas também engordam? A minha resposta começa sempre da mesma forma “todos os alimentos, tirando a água, engordam. Uns mais do que outros. Quando em excesso tudo será demais”. Deveremos perceber acima de tudo quando podemos ou deveremos consumir os vários tipos de alimentos. Todos os alimentos têm uma composição específica e cada componente tem uma função no nosso organismo e, por isso, chamo de nutrição funcional aquilo que faço em consulta. Tentar dar às pessoas aquilo que elas precisam para o seu dia-a-dia. No que respeita especificamente ao pão, ele é rico em hidratos de carbono, no entanto, é o alimento privilegiado durante o pequeno-almoço pois temos um dia todo pela frente e precisamos de energia (essa energia vem exatamente dos hidratos de carbono) ou antes da prática de atividade física. Chamo à atenção que nem todos os pães são iguais e portanto em detrimento do típico papo-seco, devemos optar por um pão mais rico em fibra ou com um índice glicémico inferior como é o caso do pão integral ou de centeio. Não esquecendo que o pão raramente é comido sozinho e o que se coloca no seu interior é por vezes muito mais calórico e menos saudável do que o próprio pão.
“O leite torna os ossos fortes”
O leite é um alimento rico em cálcio natural, em associação com vitamina D que favorece a absorção do mineral em questão. É por este motivo que se diz que o leite ajuda a fortalecer os ossos. No entanto, nós atingimos um pico de massa óssea por volta dos 30 anos de idade, momento a partir do qual não calcificamos mais os nossos ossos. Um adulto, depois de atingido o seu pico de massa óssea, por muito leite que beba consegue no máximo manter um osso mineralizado e não mais forte do que era.
Para ver a entrevista completa dos mitos sobre a alimentação, clique aqui.
Fonte:
MSN Saúde http://saude.pt.msn.com