Obesidade infantil - Um aumento preocupante

A obesidade nas crianças constitui um dos grandes desafios da saúde pública no século XXI. É um problema global, que afeta um grande número de países com rendimentos mais baixos, nomeadamente no meio urbano.

A prevalência tem aumentado a um ritmo alarmante. O excesso de peso e a obesidade são responsáveis por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano. As crianças com excesso de peso ou obesidade tendem a ficar obesas na idade adulta, aumentando os riscos de contrair doenças cardiovasculares ou diabetes, numa idade precoce.

O excesso de peso e a obesidade, assim como as doenças que lhes estão associadas, são em grande parte evitáveis. A prevenção da obesidade nas crianças deve ser uma prioridade a ter em conta.

Cerca de 43 milhões de crianças, com menos de cinco anos, têm excesso de peso ou são obesas. As crianças são expostas a um marketing intensivo de produtos ricos em gordura, açúcar ou sal. Os dados científicos demonstram que a publicidade que passa nas televisões tem influência nas preferências alimentares das crianças, nos seus pedidos de compra e nos seus padrões de consumo. Além disso, várias técnicas são utilizadas para comercializar este tipo de produtos junto das crianças, na televisão, na internet, nos supermercados, nas escolas, entre outros variadíssimos contextos.

As principais causas do aumento da obesidade infantil residem, por um lado, numa mudança dos hábitos alimentares, com um aumento do consumo de alimentos com alta densidade energética, ricos em gorduras e açúcares, mas pobres em vitaminas, minerais e outros micronutrientes necessários. Por outro lado, há uma forte tendência de diminuição da atividade física das crianças.

Uma má alimentação é um dos grandes fatores de risco das doenças não transmissíveis. Os riscos associados a uma má alimentação começam desde a infância e tendem a aumentar ao longo da vida. De modo a prevenir essas doenças, as crianças devem manter um peso normal e uma alimentação pobre em gorduras, açúcares e sal.

Os pais podem influenciar o comportamento dos seus filhos, colocando à sua disposição alimentos e bebidas saudáveis e incentivando a prática de atividades físicas. Nesse sentido, apresentam-se algumas sugestões para promover uma alimentação saudável e a prática de atividade física:

Para bébés e crianças pequenas:

  • Dar preferência à amamentação;
  • Não adicionar açúcar e amidos às preparações dos bébés;
  • Aceitar que a criança seja capaz de regular o que come, em vez de forçá-la a acabar o prato;
  • Garantir a ingestão de micronutrientes, necessários para um bom crescimento.

Para crianças e adolescentes:

  • Elaborar um pequeno almoço completo e saudável antes de irem para a escola;
  • Optar por lanches saudáveis, com cereais integrais, frutas ou legumes;
  • Promover o consumo de frutas e legumes ao longo do dia;
  • Limitar o consumo de alimentos com grande teor energético e pobres em micronutrientes (alimentos embalados);
  • Limitar o consumo de bebidas com açúcar adicionado;
  • Limitar a exposição à publicidade e às práticas comerciais;
  • Educar as crianças no sentido de optar por alimentos saudáveis, em detrimento dos produtos pré-fabricados;
  • Reduzir o tempo gasto em atividades sedentárias, como ver televisão ou estar ao computador;
  • Incluir atividades físicas, extracurriculares, no planeamento semanal das crianças e jovens;
  • Promover atividades físicas em família, como caminhadas ou outras atividades lúdicas ao ar livre.

Fonte: http://www.who.int